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03/11/2016 -
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Indústria reage em setembro e sinaliza expansão no 4º tri
 
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A forte queda da produção industrial em agosto parece não ter revertido a tendência de recuperação lenta do setor. Para economistas, os primeiros dados divulgados de setembro indicam que a atividade nas fábricas voltou ao terreno positivo no período, ainda que em magnitude insuficiente para compensar o tombo de 3,8% ocorrido no oitavo mês do ano. Como a retração foi forte, piorou a percepção sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, mas o “efeito rebote” pode provocar crescimento da atividade nos últimos três meses de 2016.

 

A produção de automóveis aumentou 14,1% de agosto para setembro, depois de ter recuado 15,2% no mês anterior. Os cálculos baseiam-se em números divulgados pela Anfavea, dessazonalizados pela MCM Consultores. Segundo dados divulgados ontem pela entidade que reúne as montadoras de veículos, a produção do setor caiu 3,9% de agosto para o mês passado.

 

A própria Anfavea, porém, salienta que o desempenho caminha para a estabilidade, mas fatores pontuais têm provocado variações inesperadas. Entre eles, a entidade ressalta o menor número de dias úteis em setembro e a dificuldade dos consumidores em conseguir financiamento de veículos novos em razão da greve dos bancos.

 

Tendo como uma das bases o desempenho do setor automotivo, A MCM espera, ainda de forma preliminar, alta de 0,6% da produção industrial total na passagem mensal. “A indústria vai continuar seu processo de retomada lenta”, afirma o economista Leandro Padulla, para quem o setor vai voltar a crescer no último trimestre do ano.

 

Entre julho a setembro, Padulla estima redução de 0,8% do PIB industrial, desempenho em grande parte explicado pelos problemas pontuais da indústria automobilística, que teve paralisações acima da média em agosto. Em função disso, o economistas reviu ligeiramente sua projeção para a queda do PIB total no terceiro trimestre, de cerca de 0,5% para 0,7%. Nos próximos meses, porém, a atividade do setor manufatureiro, deve seguir melhorando, afirma ele, devido à continuidade da normalização da produção pelas montadoras.

 

Além da volta à normalidade nas fábricas de automóveis, a recomposição de estoques, principalmente nos fabricantes de bens intermediários, e a reação da confiança do empresariado são outros fatores que devem ajudar a indústria nos últimos três meses do ano, avalia Padulla. Em seu cenário, a trajetória um pouco melhor do setor deve levar o PIB a avançar 0,2% no último trimestre de 2016.

 

Outro importante indicador antecedente do comportamento da produção, as vendas de papelão ondulado encerraram setembro em nível pouco inferior ao de igual mês de 2015, na avaliação de Gabriella Michelucci, presidente da associação que reúne empresas do setor (ABPO). Os dados ainda não foram divulgados.

 

Em relação a agosto, a expectativa é de queda de cerca de 2%, afirma Gabriella, mas a redução não é vista como piora do desempenho. “Não estamos virando a economia do avesso positivamente, mas deixamos de ter perdas importantes”, diz a executiva, também diretora de papelão ondulado da Klabin.

 

Apesar da queda no último mês, a ABPO projeta alta de 0,7% nas vendas no terceiro trimestre, na comparação com igual período do ano passado. “O setor de papelão ondulado consolidou um início de recuperação em agosto”, avalia a presidente da associação, trajetória que credita principalmente ao ajuste de estoques na indústria.

 

As embalagens, explica ela, são produtos com um giro alto e entrega diária. Por isso, quando as fábricas diminuem o volume de mercadorias paradas e precisam voltar a produzir mais, o segmento de papelão ondulado é um dos primeiros a perceber a retomada.

 

Para os últimos três meses do ano, Gabriella trabalha com recuo próximo de 1% da expedição de papelão ante igual intervalo do ano anterior, mas também não vê a perspectiva como um resultado ruim, já que o último trimestre do ano passado foi também de recuperação para o setor. Na média de 2016, a expectativa é de queda entre 1% e 1,5%, depois de redução de 2,8% em 2015. “A percepção é que paramos de cair para crescer em 2017”.

Os dados de importação também sinalizam continuidade no processo de retomada de produção industrial. Setembro foi o segundo mês consecutivo com forte desaceleração na queda de importação de bens intermediários. De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), a importação de intermediários caiu 2,3% em setembro. No mês anterior o recuo foi de 0,5%, sempre na comparação com igual período de 2015, pelo critério da média diária.

 

Apesar de ainda não terem migrado para o campo positivo, as variações representam quedas bem mais amenas que as do decorrer no ano. No acumulado até setembro, a queda na importação de intermediários foi de 20,1%. No primeiro quadrimestre do ano, a importação dessa classe de produtos recuou 30,2%.

 

Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial, (Iedi), diz que as quedas bem mais amenas nos desembarques de insumos pela indústria podem indicar retomada de produção, sinalizando que o pior momento ficou para trás. Ele pondera, porém, que há influência de outros fatores, como o real mais valorizado perante o dólar, que estimula as compras do exterior e arrefece o fenômeno da substituição de importações em curso desde o início do ano. Por enquanto, diz Cagnin, é difícil avaliar qual componente tem pesado mais.

 

A confiança, ressalta Tabi Thuler Santos, coordenadora da sondagem da Fundação Getulio Vargas (FGV), é outro dado que também melhorou em setembro, ao avançar 2,1% no mês passado, para 88,2 pontos, melhor nível desde julho de 2014. “Esperamos que a indústria retome a trajetória observada desde março, de quedas na comparação anual cada vez menores e taxas mensais com pequenos avanços”.

 

A preocupação, agora, é com a resposta da demanda interna, especialmente diante dos sinais de que o setor externo está impulsionando mesmo a atividade industrial, dada a valorização recente do câmbio. Segundo Tabi, há inclusive evidências de exportadores que estão reduzindo sua margem de lucro para continuar a vender para o exterior e não perder o cliente, já que a demanda doméstica ainda é insuficiente. Nesse cenário, o risco de volta de acúmulo de estoques pelo varejo existe, afirma.

 

Por enquanto, diz, a indústria continua a reduzir suas mercadorias paradas, mas a recuperação do setor só será mais forte quando a demanda interna der sinais claros de reação, o que tende a acontecer apenas a partir do ano que vem, caso as reformas sejam aprovadas.

 

Cagnin, do Iedi, tem preocupação semelhante. Ele alerta para a perda de fôlego que já aparece nos números de exportação exatamente em razão da apreciação da moeda nacional nos últimos meses. Em agosto o volume de exportação de manufaturados cresceu 25% contra mesmo mês de 2015. No acumulado até o mês a alta foi de 9,1%. Cagnin lembra, porém, que fatos pontuais contribuíram para a aceleração do quantum embarcado em agosto. Entre eles a exportação de aeronaves, que mais que dobrou no mês em relação a igual período do ano passado.

 

Nas comparações trimestrais, destaca Cagnin, o volume embarcado de manufaturados cresceu 12,3% de janeiro a março. No segundo trimestre a alta caiu para 9,2%. No último trimestre de 2015 a alta foi de 13,7%, compara o economista do Iedi, sempre contra igual trimestre do ano anterior.

 

“O câmbio perde o efeito dinamizador da exportação”, avalia Cagnin. Ao mesmo tempo a economia doméstica ainda não mostra sinais de que existirá demanda para uma produção que pode não ir mais para o mercado externo.

 

Ele diz, porém, que não é caso de se falar de um quadro “catastrófico” e sim de acompanhar os indicadores dos próximos meses com atenção. De qualquer forma, estima, a expectativa é de que as variações de quantum exportado de manufaturados até o fim do ano continuem positivas, embora em desaceleração e caminhando para a estabilidade. (Valor Econômico/Arícia Martins, Marta Watanabe e Tainara Machado)

 

FONTE: VALOR ECONÔMICO 



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