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05/02/2014 -
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Com Up!, Volkswagen mira o topo
 
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Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil, costuma dizer que "liderança não paga o almoço, o importante é a rentabilidade do negócio". Pode ser, mas ninguém vai ficar descontente se as duas coisas acontecerem juntas. Nesse caso, o Up! é a melhor chance dos últimos 13 anos que a fabricante tem de voltar ao topo do ranking de vendas do País, neste ou no próximo ano. É uma novidade que coloca mais um modelo da marca, além de Gol (em primeiro lugar) e Fox (na sexta posição em 2013), para brigar na lista dos seis carros mais vendidos, que juntos representam nada menos que 30% do mercado brasileiro. Nessa batalha, a versão mais barata e "pelada" do Up! quatro portas chega às concessionárias a partir desta quarta-feira, 5, por R$ 28,9 mil - a opção com duas portas só virá daqui a três meses, por R$ 26,9 mil. 

Este preço inicial está entre R$ 4 mil e R$ 5 mil abaixo do Gol e Fox de entrada, mas acima do início da tabela do que deve ser seu principal concorrente, o Fiat Uno (R$ 26.990). Mas o valor do Up! completo fica bem "salgado" para um "popular": passa dos R$ 40 mil, incluindo o sistema de multimídia Maps&More, opcional para todas as versões. Nesse caso, pode até dar para pagar vários "almoços" sem almejar a liderança.

Contudo, somando tudo e subtraindo as vendas que o Up! deverá roubar da própria Volkswagen, com preços em versões mais caras que passam dos R$ 35 mil, o carrinho com jeito de cachorrinho de estimação pode sim trazer as vendas que faltavam para atingir o topo do mercado. "O novo Gol (lançado em 2008) foi uma evolução em relação a um carro que já era líder, enquanto o Up! representa uma revolução que nos traz novos clientes", afirma Juta Dierks, vice-presidente de vendas e marketing da Volkwagen do Brasil. Não por menos o carro vem sendo tratado não só como o mais importante lançamento da marca desde a renovação do Gol, mas também como uma das mais relevantes novidades automobilísticas de todos os tempos em solo brasileiro, capaz de trazer novos consumidores para o mundo do automóvel. 

"O Up! inicia uma nova era no segmento, com mais tecnologia e melhorias", destaca Schmall. "São seis versões de um carro urbano que reúne o melhor da engenharia da Volkswagen." Para fazer o Up!, a fábrica de Taubaté (SP) foi totalmente modernizada e recebeu investimento de R$ 1,2 bilhão, valor mais que suficiente para fazer uma nova unidade de produção inteira. 

AURA POSITIVA

Uma aura de notícias positivas foi construída em torno do Up! antes mesmo de seu lançamento. O carro foi classificado com cinco estrelas e obteve as melhores notas nos testes de impacto já feitos nos quatro anos de existência do Latin NCAP - ainda que uma nova avaliação não patrocinada deverá ser feita pela entidade após o início das vendas. "A estrutura da cabine ficou preservada e as portas abriram normalmente após a colisão a 64 km/h. É o melhor resultado que um veículo por ter em um crash test", comemora Egon Feichter, vice-presidente de desenvolvimento de produto da Volkswagen do Brasil. O bom resultado é devido, principalmente, à estrutura da carroceria, fabricada com cinco tipos diferentes de aço com grande variações de resistência, capaz de absorver impactos e preservar a cabine.

Nos testes do Cesvi, patrocinado pelas seguradoras, em testes de impacto a baixa velocidade o Up! foi avaliado com o menor custo de reparos do mercado do Car Group, com nota 11, a mais baixa da história da entidade - o segundo colocado, o Citroën C3, tem nota 14. Contribui para isso a estrutura dianteira com três grandes peças que podem ser trocadas separadamente. Na traseira, uma placa de aço preserva a carroceria em caso de pequenas colisões.

Em consumo, na tabela de eficiência energética do Inmetro divulgada em janeiro o Up! obteve o melhor resultado para um carro equipado com direção assistida e ar-condicionado, com a marca de 1,57 megajoule por quilômetro - até então a melhor marca era do Fox Bluemotion equipado com o mesmo motor 1.0 de três cilindros, que atingiu 1,6 MJ/km. O concorrente Uno Way chegou 1,83 MJ/km. 

O motor do Up!, o moderno EA 211, adiantado ao público no Fox Bluemotion mais de meio ano antes, serviu de boa propaganda para o novo carro da VW. É de fato a principal atração tecnológica do Up!, o 1.0 mais potente (82 cavalos com etanol) e econômico do mercado brasileiro, com avanços ainda pouco explorados no Brasil, como bloco e cabeçote de alumínio e sistema de partida a frio que dispensa o tanquinho de gasolina. 

DESIGN BRASILEIRO

O bom arranjo tecnológico, sem grandes arroubos mas em linha com mercados mais desenvolvidos, casa bem com o desenho diferenciado, do tipo aquele-carrinho-bonitinho-que-sua-filha-vai-adorar. Essa é a principal atração do Up!, que chama a atenção com suas linhas simples que mais lembram um brinquedo de criança. "É tão simples que uma criança consegue entender", costuma dizer o designer brasileiro Marco Pavone, o "autor" do Up!, que já tinha muito de Brasil antes mesmo de ser brasileiro. 

Lançado na Europa em 2011 (desde então foram vendidas 250 mil unidades em 50 países), o carro foi desenhado por Pavone que é egresso do concurso de design que a montadora realiza todos os anos no País. Hoje ele trabalha no estúdio da companhia na Alemanha. "Isso é a essência da Volkswagen", teria dito Walter de Silva, o chefe de design do grupo, quando viu os primeiros traços do Up! feitos por Pavone. Ele viu ali os três pilares que marcam a identidade visual da VW: simplicidade, robustez e precisão.

Luiz Alberto Veiga, gerente executivo de design da Volkswagen do Brasil - que já deu contribuições marcantes à atual identidade visual global da marca -, define o Up! como uma "interpretação do Fusca do futuro, mas desta vez com tudo que temos direito em tecnologia e segurança". É isso mesmo: é um carro simples, para quem está iniciando a vida no mundo da motorização, com desenho diferente da média. Uma boa receita para o sucesso. 

MUDANÇAS PARA O BRASIL

O Up! que começa a ser vendido no Brasil não é uma cópia simples do europeu. "Lá o carro tem outro foco e seria invendável aqui. Por isso fizemos todas as mudanças necessárias para agradar ao brasileiro, sem concessões", diz Feichter. 

O Up! feito em Taubaté ficou com 3,6 metros de comprimento, 6,5 centímetros maior do que o europeu, 1,64 m de largura e 1,5 m de altura, 2 cm a mais por causa da suspensão levantada para suportar o piso irregular do Brasil. O alongamento foi feito para vender um carro com capacidade para levar cinco pessoas - que até cabem, mas acomodar três adultos no banco traseiro por muito tempo seria forçar a amizade. Assim o Up! é para cinco, mas bom mesmo só para dois. 

Com o maior comprimento, foram acrescentados 15 litros aos porta-malas, que acomoda 285 litros. As portas traseiras também foram redesenhadas para o Brasil, para guardar vidros deslizantes acionados por maçaneta, ao invés dos vidros basculantes com mínima abertura lateral do modelo europeu. Outra mudança: tanque de combustível de 50 litros, 15 litros maior, para garantir maior autonomia, principalmente quando o veículo é abastecido com etanol. 

Também para atender às características típicas do Brasil, o Up! ganhou aqui protetor de polia do motor (para maior proteção contra sujeira), protetor inferior de aço (peito-de-aço) e alojamento de estepe maior. 

VERSÕES

O Up! é vendido em seis versões diferentes, cujos nomes em inglês seguidos do nome do carro remetem à ascensão social do freguês: Take Up!, Move Up!, High Up! e BRW (de Black, Red, White). Todas têm de série os obrigatórios por lei airbags frontais e freios com ABS, mas nenhuma oferece, nem como opcional, o controle eletrônico de estabilidade (ESP ou ESC). 

A Volkswagen avalia que a versão intermediária Move Up! será a mais vendida, até porque o nível de equipamentos da mais barata fica abaixo da crítica. Por R$ 28,9 mil o cliente terá um carro muito pelado, que nem sequer vem com visor digital no painel de instrumentos. A verdade é que o Up! só começa a ficar interessante a partir da versão High Up!, quando ganha de série a direção eletromecânica, que custa R$ 1.240 como opcional nas versões inferiores. A solução, segundo a Volkswagen, pode reduzir o consumo em até 3% na comparação com o sistema de assistência hidráulica convencional. 

Melhor e bem mais cara é a versão topo de linha Black/Red/White, assim chamada por causa da cor externa repetida em detalhes do painel e nas rodas de liga leve. O carro vem completo, de série com ar-condicionado (custa R$ 2.750 como opcional), sensor de estacionamento, sistema de som, rodas de liga leve 15" com pneus de baixa resistência ao rolamento e acionamento elétrico de vidros e travas, entre outros equipamentos. 

Opcional para todas as versões é o sistema de infoentretenimento Maps&More, que sai por R$ 1,2 mil. A tela sensível ao toque combina navegação, conexão com o celular e replica o sistema de som e dados do computador de bordo, incluindo o Blue Motion Training, que "ensina" o motorista a dirigir com maior economia de combustível. 

Seguindo a "moda" das personalizações que servem para dar alguma exclusividade a carros populares, o Up! tem 46 combinações de cores e acabamento, e pode receber diversos adesivos internos e externos para tornar sua simplicidade menos simples. A Volkswagen garante que "tem um Up! para todos os gostos". O slogan publicitário do modelo diz que "it's up to you" (traduzindo, "depende de você") - ou, melhor dizendo, depende de quanto você pode pagar. 

Veja abaixo todos os preços do Up!:

- Take Up!: R$ 26.900 (2 portas) e R$ 28.900 (4 portas) 
- Move Up!: R$ 28.300 (2 portas) e R$ 30.300 (4 portas) 
- High Up!: R$ 34.990 (4 portas) 
- Black/Red/White Up!: R$ 39.390 (4 portas)

Fonte:Automotive Business



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